Feira de Bologna 2014 – Ano do Brasil!!

Posted on Abr 1, 2014 in Eventos | No Comments
Feira de Bologna 2014 – Ano do Brasil!!

Ah, Bolonha.
Ah, o Brasil.

São 5 anos que vou à Feira e desta vez foi realmente memorável. Pra começar nunca tinha visto tantos brasileir@s juntos! Deu a impressão que o país ficou vazio de tanta gente que tava lá. Pra culminar o Roger Mello foi agraciado com o Hans Christian Andersen, a mais alta premiação no meio dos ilustradores. Prêmio muito merecido, foi uma alegria só!!!

Por ser o país convidado de honra, houve uma exposição de trabalhos nacionais (além da exposição de ilustradores do mundo, como tem a cada ano), nominada “Incontáveis linhas, incontáveis histórias” donde figuravam 55 artistas brasileiros a saber:

Alcy Linares, Ale Abreu, André Neves, Andrés Sandoval, Angela Lago, Cárcamo, Caulos, Ciça Fitipaldi, Cláudio Martins, Daniel Bueno, Eduardo Albini, Eliardo França, Elizabeth Teixeira, Elma, Eva Furnari, Fernando Vilela, Geraldo Valério, Gilles Eduar, Graça Lima, Grupo Matizes Dumont, Guazzelli, Guto Lacaz, Guto Lins, Helena Alexandrino, Ivan Zigg, Jean-Claude Alphen, Jô Oliveira, Laurabeatriz, Laurent Cardon, Lelis, Luiz Maia, Manu Maltez, Marcelo Cipis, Marcelo Pimentel, Marcelo Xavier, Maria Eugênia, Mariana Massarani, Marilda Castanha, Michele Iacocca, Maurício Negro, Nelson Cruz, Odilon Moraes, Regina Coeli Rennó, Renato Alarcão, Renato Moriconi, Ricardo Azevedo, Roger Mello, Rogério Borges, Rosinha, Rui De Oliveira, Salmo Dansa, Suppa, Taísa Borges, Walter Lara e Ziraldo.

Ziraldo teve um cantinho só dele e declarou à Globo “Imagina, eu sou o autor brasileiro homenageado pelos brasileiros, então estou muito feliz de estar aqui e muito feliz que o país tome conhecimento da importância que nós temos no mundo“. (A matéria completa vocês podem ver e ler aqui.)

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Gostei muito da exposição, haviam ilustradores que são referência para mim, gente que admiro muito pela trajetória e pelo esforço em abrir caminhos para as novas gerações (nas quais me incluo) e também haviam artistas mais recentes, representando justo a nova turma que chega neste mundo ilustre. Fiquei especialmente maravilhada com a obra da Eva Furnari… quanto detalhe, quanto esmero em suas aquarelas! Dó que era apenas uma ilustração por artista. Confesso que deu um pouco de dó ver que muitas das artes não eram originais e sim impressões… fiquei com gosto de quero mais.

Na terça assisti a uma mesa com nada menos que Fernando Vilela, Odilon Moraes, Roger Mello, Ziraldo e Graça Lima mediados pela Beth Serra donde falavam justo de como foi feita a seleção das artes e dos ilustradores participantes da expo. A Graça frisou que as escolhas partiram do afeto, desde as entranhas do seu lar, lugar onde Roger Mello afirmou de maneira divertida que consiste em um ponto turístico do Rio de Janeiro tais as vistas. Já o Ziraldo comentou que lamentava a disposição horizontal das artes, porque arte é pra ver vertical, na parede. “A gente desenha na horizontal, mas vê arte em pé como as grandes obras em museus e não debruçado sobre uma mesa desviando dos reflexos de luz”. Falou também em tom de brincadeira séria que ninguém consultou sua sabedoria dos altos dos seus tantos e tantos anos…

Na quarta pude assistir a duas mesas:
Contemporany Brazilian Illustrators: Diversity in traces, com André Neves, Fernando Vilela, Nelson Cruz e Odilon Moraes. Foi uma explanação muito generosa onde cada um contou um pouco de sua trajetória. Fiquei impressionada com a riqueza de cada um. Cada relato mais bonito e tocante que o outro. Foi uma masterclass!

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E vi também Brazilian Literature and Culture – Roots of Brazil: Indigenous and African com os escritores Sônia Rosa e Daniel Munduruku, mediados pela Mariana Warth, da editora Pallas. Faz tempo que sou ligada nas questões das raízes do Brasil e de como há uma deformidade da representação dos personagens nos nossos livros. Tento como posso contemplar a diversidade e a pluralidade de nossa gente. Escutei coisas bacanas que não sabia, por exemplo de que existem  leis ( Lei 10.639/03 e Lei 11.645/08) que obrigam o ensino da história da África, cultura africana e afro-brasileira e indígena nas escolas brasileiras! Essa lei tem um pouco mais de 10 anos e é um sinal do início de uma mudança no panorama brasileiro. Escutei o Munduruku dizer algo que eu já imaginava, que “nascer índio é uma desgraça” vista todas as dificuldades que isso significa na sociedade brasileira. Daniel falou também de algo que eu já havia aprendido ha 10 anos atrás, que não há uma cultura indígena (assim como não há uma cultura africana, como bem disse a Sônia Rosa). São muitos os povos e muitas as culturas, cada um com suas crenças, suas línguas e seus costumes. O erro esta justo em estereotipar e generalizar.

Ainda na quarta pude assistir ao On the tracks of Bears and Elephants – A meeting with Benjamin Chaud. Eu sou completamente fã do trabalho deste sujeito, arrisco a dizer que sou a fã número 1 do Brasil. Desde que vim morar na Espanha em 2009 me apaixonei pelo elefante cor-de-rosa do tamanho de um tomate. Acho as soluções que o Benjamin Chaud dá à poesia do texto da Ramona Badescu simplesmente geniais, e amo também as expressões blasé do personagem. Pomelo forever!

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Voltando à palestra, foi um bate-papo enriquecedor entre o Benjamin e Ilaria Tontardini. Ela fazia as perguntas na medida da minha curiosidade sobre o universo criativo de Chaud. Eu mesma não teria formulado minhas dúvidas e curiosidades tão bem. Por outro lado, Benjamin foi além de todas as expectativas, respondendo com simpatia e riqueza de informações, extremamente claro e generoso em suas explicações. (enchi 7 folhas do meu caderninho com anotações desta palestra!!!) Pobre moço, não me aguentei e fui tietar, disse qualquer coisa como “errrrr, gggg, bbliph, errrr I’m I’m I’mmmm your fan”. Que vergonha, SHAME ON ME, mas ele foi simpático e me deu um autógrafo mesmo assim. No dia seguinte houve a abertura da exposicão de mesmo nome da palestra onde se podiam ver originais do Pomelo e outros livros do ilustrador. Haviam cadernos expostos e um que se podia manusear e tudo!! Um sonho.

Achei mágico nesta feira o calor humano. Tive a honra de conhecer pessoalmente ilustradores que admiro muito, que me dobro em respeito a eles. Foi difícil conter a emoção, viu? Ainda mais quando percebi que são pessoas extremamente reais, com o coração do tamanho do mundo. Gente leve, generosa, batalhadora e acolhedora. Às vezes acho que já passei da idade de chorar por certas coisas, mas ainda me surpreendo me emocionando por aí. Fiquei especialmente ligada à Marilda Castanha e seu parceiro de vida Nelson Cruz. Que casal, que ilustradores, que exemplo! Foram todos muito queridos comigo, não posso reclamar: Odilon Moraes, Maurício Negro, Rosinha, Elma, André Neves, o Roger Mello, o meu querido Guazzelli (que conheci em 2003!!, já se vão 11 anos de admiração por esse cara), a Eva Furnari, Angela Lago, Kondo e esposa e tantos outros… é muita gente do bem junta.

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Preciso dizer que me senti muito cuidada pelas minhas editoras do coração, Pallas e Callis. (Obrigada, Mari, Aron, Thiago e Claudias! Foram horas de conversa boa!) Vi outros editores que adoro, como o Gil e pude estreitar os laços com um papo comprido com alguns outros. Agradeço também a Thaís Caramico, que me proporcinou uma noite super divertida de jantar entre gente querida. Obrigada ao amigo André da Loba que costuma me brindar com bons conselhos.  Recebi umas boas espinafradas do Ziraldo, que olhou criticamente um livro que levei para tentar vender. Espinafradas construtivas, esteja dito. Ele também elogiou minha maneira de fazer personagens crianças. Gostou muito das feições. Ufa!

Tive o prazer de conhecer o Otávio Jr. Escritor, guerreiro difusor da leitura entre os menores com o projeto Ler é 10. Um exemplo de simpatia, discrição, caráter e força. Um exemplo de tudo o que é bom. Deixo com ele minha admiração e respeito pelo trabalho duro.

IMG_0395 Nossa… é tanta coisa que nem cabe.
Já que comecei a agradecer, não posso deixar de fora de maneira alguma minha querida amiga Paola Franco. Ilustradora italiana e gente da mais fina qualidade. Um sol que a vida me deu. Ela e a Iolanda, senhora que a cada ano gentil e amorosamente me acolhe em sua casa.

Não posso terminar o texto sem dizer que CATAPOFT caí pra trás quando vi o livro da Socorro Acioli. THE HEAD OF THE SAINT. É muito orgulho pra mim.

É isso pessoal. Mais um ano, mais uma feira. Desta vez a rosa Bologna se fez verde e amarela. E Ionit Zilberman, saiba que você fez muita falta.